Esperança, âncora da alma
Fazer o bem sem ver a quem. Assim que devemos proceder com nossos irmãos.
Nós, cristãos, praticamos, ou deveríamos praticar essa ação a cada dia, que é nada mais que viver as virtudes conforme a vontade do Senhor. Aspiramos a Deus sobre todas as coisas colocando nEle toda a origem, motivo de vida e objetivo de estar um dia na glória eterna.
Para que este “vínculo de perfeição” aconteça é preciso, em primeiro lugar, praticar as virtudes teologais, ou seja, aquelas que se referem diretamente a Deus. “Elas dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto”. (1)
As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. (2)

“Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de corresponder a este amor e de agir de acordo com os mandamentos da caridade”. (3)
A esperança manifesta-se praticamente nas virtudes da paciência, que não esmorece no bem nem sequer diante de um aparente insucesso, e da humildade, que aceita o mistério de Deus e confia n’Ele mesmo na escuridão. (Carta Encíclica Deus é amor, § 39)
São Tomás de Aquino dizia que a esperança cristã é a espera certa da felicidade eterna.
Sendo a caridade origem e forma de todas as virtudes, dela nasce a esperança de um dia contemplarmos a face de Deus…”hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade” (I Cor 13, 12s).
“A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). “Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna” (Tt 3,6-7).
A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
Pela esperança,
desejamos
e aguardamos
de Deus, com
firme confiança,
a vida eterna
e as graças para merecê-la.
A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem sua origem e modelo na esperança de Abraão, cumulada em Isaac, das promessas de Deus, e purificada pela prova do sacrifício. “Ele, contra toda a esperança, acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos” (Rm 4,18).
Esta mesma esperança se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na “esperança que não decepciona” (Rm 5,5).
A esperança é a “âncora da alma segura e firme, “penetrando… onde Jesus entrou por nós, como precursor” (Hb 6,19-20). Também é uma arma que nos protege no combate da salvação: “Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação” (l Ts 5,8) Ela nos traz alegria mesmo na provação: “alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação” (Rm 12,12). Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
Podemos esperar, pois, a glória do céu prometida por Deus aos que o amam e fazem sua vontade. Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, “perseverar até o fim” e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com graça de Cristo. Na esperança, a Igreja pede que “todos os homens sejam salvos” (1Tm 2,4). Ela aspira a estar unida a Cristo, seu Esposo, na glória do céu.” (4)
“Quanto maior a esperança, tanto maior a união com Deus, porque em relação a Deus, quanto mais se espera, tanto mais se alcança.” (São João da Cruz)
“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”. (4)
“A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatifica de Deus” (CATEC § 2090).
“Enquanto Ele não voltar eu vou viver mais e mais, como quem espera o Salvador que virá…”
(Trecho da música “Nova Jerusalém”, Adriana)
FONTES:
(1) CATEC § 1812
(2) CATEC § 1813
(3) CATEC § 2090
(4) CATEC § 1817 – § 1821
Da Ascenção à Pentecostes, uma Ponte pelo Cenáculo
maio 27, 2009 por Lara
na categoria Espiritualidade, Formação, Liturgia
Estamos celebrando, o final do tempo Pascal, a culminância da plenitude da obra da salvação.
Nesse tempo o Senhor nos convida a fazermos a travessia de uma ponte, do Domingo da Ascenção ao Domingo de Pentecostes. Ler mais
Caridade, origem e forma de todas as virtudes
“Se vês a caridade, vês a Trindade” — escrevia Santo Agostinho. Ler mais
O Tempo Litúrgico
A Igreja Católica costuma organizar a liturgia num ciclo trienal, com os anos A, B e C. Cada um destes anos é uma grandeza autônoma, sem que nenhum deles pressuponha o outro. Nas festas maiores todas as leituras, ou uma parte delas, são idênticas nos três anos porque há textos com características específicas de cada festa. A liturgia dos anos A, B e C segue um mesmo evangelista para leituras do evangelho. Ler mais
Virtudes – Viver bem a cada dia
“Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,8) Ler mais
Queremos ver Jesus
Receber a Boa Nova é direito de todos.
Evangelizar é nosso dever.
Dever daqueles que já acolheram a Palavra em sua vida, Jesus em seu coração.
No entanto, nem sempre temos sucesso ao anunciar a Palavra de Deus, e percebemos que apesar do nosso esforço as pessoas não conseguem perceber a graça de Deus, o Emanuel, Deus conosco, a Boa Nova da Salvação e com isso, acabam não acolhendo Jesus em seus corações.
importa que
Ele
cresça e
eu diminua
A eficácia da evangelização é obstruída, prejudicada porque alguma coisa em nós, nas circunstâncias ou nas pessoas, não permitiu que estas vissem Jesus.
Evangelizar é mostrar Jesus, como João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” Jo 1,29. E “importa que Ele cresça e eu diminua” Jo 3,30.
Sim, é preciso que Jesus cresça e que nós diminuamos.
As pessoas não podem parar em nós, precisamos ser transparentes para que elas vejam Jesus através de nós e passem por nós a Jesus. E esse passar não significa que sejamos caminho obrigatório, mas uma entre as infinitas opções de Deus, que Ele resolveu dispor em determinada situação.
Precisamos resplandecer a face de Jesus. Não basta falarmos do amor de Deus, é preciso mostrar com a vida, com o testemunho. E ser o amor de Jesus para o outro. Ser coerente com o que diz, ser coerente com a fé que professamos. É preciso ter Jesus no coração e deixar-se ficar no coração de Jesus.
Porque ninguém pode mostrar o que não viu, nem dar o que não tem.
É preciso ser o barro nas mãos do oleiro, ser o vaso que carrega a água do Espírito Santo e a distribui. Mas é necessário encher primeiro este vaso, para depois poder servir a água, e enchê-lo com a água do Espírito repetidas vezes.
É preciso buscar ver Jesus, como Zaqueu, deixá-lo entrar e transformar nossa vida. Lc 19, 1-9
Fazei a experiência
O quinto mandamento da Igreja, conforme o Catecismo, é “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, e recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades. “Faze todas as tuas oferendas com um rosto alegre, consagra os dízimos com alegria.”(Eclesiástico 35,11) Ler mais



